Como será o clima em Junho: o inverno poderia começar com El Niño?

Iniciado nesta segunda feira (1º), o mês de junho marca o início do inverno meteorológico no Hemisfério Sul. A primeira semana de junho tende a ser seca e de temperaturas acima da média em grande parte do país. A partir da segunda semana, porém, os modelos apontam aumento da frequência de sistemas frontais e chuva sobre o centro-sul do Brasil, enquanto temperaturas entre a média e abaixo da média no Sul, Sudeste e Centro-Oeste sugerem a entrada de massas de ar frio associadas às frentes.

Embora o inverno astronômico comece apenas em 21 de junho, a climatologia considera como inverno o período entre junho e agosto, quando as temperaturas passam a diminuir de forma mais consistente sobre grande parte do centro-sul da América do Sul.

Além do avanço mais frequente de massas de ar frio, esta também é a estação seca em grande parte do Brasil Central, incluindo áreas do Centro-Oeste, do Sudeste e do sul da Amazônia, onde está o Estado do Acre.

Mas será que o padrão típico da estação deve se repetir neste ano? Qual o papel do El Niño no próximo mês? Confira os detalhes.

El Niño à vista – Junho começa com um cenário climático interessante. O Oceano Pacífico Equatorial continua aquecendo e a evolução das anomalias recentes juntamente com as previsões climáticas internacionais indicam que o El Niño deve se estabelecer nas próximas semanas, com chance de alcançar intensidade forte ou muito forte até o fim do inverno.

Nos mapas são mostradas as previsões de anomalia de temperatura da superfície do mar (TSM) do ECMWF para junho e o inverno (junho-julho-agosto), onde observa-se anomalias de mais de 2°C até o fim do inverno no Pacífico equatorial. O monitoramento do El Niño concorda com o ECMWF em uma intensidade muito forte (acima de 2°C) que pode ser alcançada entre julho e agosto com previsão de anomalia de TSM do modelo ECMWF para junho e para o inverno (esquerda) e previsão de anomalia de TSM na região Niño 3.4 pelo ECMWF e ensemble (direita). Créditos: Organizado por Meteored/Fonte: ECMWF/Copernicus.

Os efeitos clássicos do fenômeno sobre o clima do Brasil (chuvas acima da média no Sul, abaixo da média no Norte e Nordeste e temperaturas acima da média no Sudeste) são mais pronunciados na primavera e no verão, embora este ano, com uma formação ‘antecipada’, o inverno já poderá ser afetado.

Porém, isso ainda não deve ocorrer em junho, uma vez que a atmosfera leva tempo para ‘responder’ ao aquecimento anômalo oceano e reorganizar os padrões de circulação, chuva e temperatura. Isso significa que outros fatores atmosféricos devem desempenhar papel importante ao longo deste mês, como os sistemas de mais alta frequência.

Previsão de anomalia de temperatura e chuva – O modelo ECMWF, de confiança da Meteored, prevê chuvas acima da média em uma faixa que abrange parte da região Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte, enquanto o litoral do Nordeste e faixa norte do país devem ter chuvas abaixo da média.

Já para temperatura, o centro-norte do país deve ter temperaturas acima da média, enquanto no Sul não há um sinal claro de tendência, com a mesma probabilidade de ficar na média, acima da média ou abaixo da média.

Com a ausência de um padrão de grande escala (como o El Niño) para modular o clima e de acordo com os padrões espaciais previstos, tanto na escala mensal quanto semanal, a influência mais importante deve vir dos sistemas transientes de latitude média, como frentes frias, cavados e ciclones extratropicais.Em algumas regiões, especialmente aquelas que já estão entrando na estação seca, poucos eventos de precipitação são suficientes para gerar anomalias positivas em relação à climatologia, enquanto temperaturas dentro da média (áreas brancas no mapa) nesta época no Centro-Sul são interpretadas como temperaturas mais frias/amenas.

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