Tião Maia. Repórter especial da equipe de O Aquiri
Desvendado nesta manhã de quarta-feira (27/5), o mistério que envolvia as lojas de uma rede de casas de carnes e açougues popular em Rio Branco. Por trás do luxo das lojas, conhecidas pela venda de cortes nobres, carnes premium Angus e opções para churrasco, estava a venda de cocaína exportada a partir do Acre, em grandes quantidades.

O principal polo e sede operacional da empresa fica na região da Vila Acre, em Rio Branco, onde eram oferecidos atendimento presencial e serviço de delivery, segundo diversas páginas de propaganda da empresa na rede mundial de computadores. “Rapaz coisa boa é fazer. churrasco. mas churrasco sem amigo não tem graça né? Então preparei esse banquete aqui maravilhoso. Aqui na @narotadoboiac temos a solução completa pra EVOLUIR O SABOR das suas refeições do dia a dia e dos churrascos aos fins de semana , temos a linha completa de sais e temperos @emporiocantagallo”, diz o mais recente dos anúncios. Para a Polícia Federal, no entanto, o verdadeiro negócio da empresa era outro, em pó e sem marcas de sengue e sem a principal características: o vermelho do sangue da carne. Operadores da empresa estão osb a suspeição operações que envolveram no tráfico de drogas a lavagem, de dinheiro na ordem de R$ 200 milhões.
Foi o que anunciou nesta manhã de quinta-feira a Polícia Federal ao revelar o cumprimento no Acre e em mais cinco outros estados da Federação de mandados de prisão e de mais 30 de buscas apreensões numa investigação iniciada com a apreensão de quase meia tonelada de cocaína em Mato Grosso, em 2022. Pelo menos seis pessoas foram presas por força dos mandados.
Além do Acre, a operação batizda dse “Rots do fim “ também ocorreu em Rondônia, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e Mato Grosso. As ordens judiciais foram expedidas pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas da Comarca de Rio Branco. Em Rio Branco, os mandados judiciais foram cumpridos no condomínio de luxo Ecoville, no bairro Portal da Amazônia, e no condomínio de classe média alta Green Garden, na parte alta da cidade.
Ainda conforme a PF, três pessoas foram presas em flagrante durante o cumprimento dos mandados por posse ou porte ilegal de arma de fogo. A Justiça também determinou o bloqueio de imóveis, veículos, valores em contas e rebanhos bovinos ligados aos investigados.
Segundo a investigação, o grupo teria ligação com uma facção criminosa do Rio de Janeiro e atuava em diferentes etapas da cadeia da carne bovina, incluindo empresas fornecedoras de insumos, processamento, distribuição, comercialização de produtos e leilões de gado.
Um dos presos no Acre é um homem apontado como ex-dono da empresa Na Rota do Boi. Ele é acusado de ser um dos chefes da facção Comando Vermelho e de agir no tráfico de drogas; Trata-se de Enielson Moraes de Souza, o ex-dono dono do Frigo Rota, frigorifico ligado as casas de Carne Na Rota do Boi, também proprietário da Leilo Marca Leilões.
Em associação com organização criminosa Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, o empresário e seus liderados estariam envolvidos no tráfico de entorpecentes e na lavagem de capitais.
A operação contou com o apoio da Receita Federal do Brasil (RFB) e do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Acre (GAECO/MPAC). Foram mobilizados 145 policiais federais e 10 fiscais da RFB.
As investigações foram iniciadas a partir de um flagrante ocorrido na cidade de Poconé/MT, em 2022, quando foram apreendidos 469 kg de cocaína e 160 g de maconha. Constatou-se, então, a existência de uma organização criminosa baseada no Acre, que se infiltrou na cadeia produtiva da carne bovina e inclui empresas fornecedoras de insumos, de processamento, de distribuição e de comercialização de produtos e subprodutos, além de leilões de gado.
A organização criminosa movimentou no período investigado, aproximadamente, R$ 200 milhões em recursos de origem ilegal, que se misturaram a valores lícitos da cadeia econômica da carne bovina.
