Depois de visitar a casa que serve de abrigo a estrangeiros de passagem por Rio Branco, mantida pela Prefeitura Municipal, onde a maioria dos abrigados é composta de venezuelanos, o prefeito Tião Bocalom (PL) utilizou suas redes sociais para um duro discurso de defesa das ações do presidente dos Estados Unidos, Donad Trump, na captura do então presidente da Venezuela Nicolás Maduro. A ação ocorreu em três de janeiro de 2026, exatos 37 anos depois de fato semelhante ocorrido no Panamá, quando o então presidente estadunidense George W. Busch capturou o então ditador Manuel Noriega, que foi levado preso e julgado nos Estados Unidos por crimes semelhantes aos que agora são atribuídos a Maduro, lembrou Tião Bocalom.

“Muitos dizem que Trump só quer o petróleo da Venezuela. Mas será que é isso mesmo? Em 1989, o Panamá vivia sob o ditador do tal Manoel Noriega, que fraudou eleições, violou direitos humanos e se aliou ao narcotráfico. Na época, o presidente dos Estados Unidos, George Bush, interviu, a ONU condenou, e os defensores da ditadura de Noriega disseram que o verdadeiro interesse dos Estados Unidos era somente o canal do Panamá. E veja o que aconteceu. Noriega foi capturado, olha só, dia 3 de janeiro de 1993, 3 de janeiro. O Panamá permaneceu soberano e hoje é um país livre da ditadura esquerdista”, lembrou Bocalom

Segundo o prefeito de Rio Branco, além de se manter soberano, o Panamá passou a ter desenvolvimento e hoje tem um PIB (Produto Interno Bruto), renda per capta e IDH (Indice de Desenvolvimento Humano) muitos superiores ao Brasil. “Olha só como são as coisas. E, mais uma vez, a história se repete. Nós vivenciamos esse dia histórico em 3 de janeiro de 2026. Maduro foi o capturado e a pergunta que fica é muito simples: onde estavam os esquerdistas, defensores de Maduro, quando o povo venezuelano comia do lixo? Onde estavam os esquerdistas quando mais de 8 milhões de pessoas saíram da Venezuela para fugir da fome, da miséria e da perseguição? Onde é que esse povo estava? Onde estavam os esquerdistas quando milhares foram mortos pelo aparato repressivo do Estado venezuelano?”, indagou Bocalom.

Afinado ideologicamente com os defensores da ação de Donald Trump no caso da Venezuela, Tião Bocalom também indagou: “Houve protestos quando a Rússia, a China, Cuba e o Irã levaram o petróleo venezuelano embora, e o povo ficou na miséria? Eu tenho certeza que não houve indignação desses esquerdistas que hoje protestam contra o presidente Trump; houve ação do desses esquerdistas aí quando as eleições foram fraudadas? A mesma esquerda que diz defender a democracia e os direitos das mulheres, silenciou quando a Maria Corina, uma mulher venezuelana, líder da oposição, venceu o Prêmio Nobel da Paz. O que eles fizeram? Simplesmente ignoraram isso. E olha que era uma mulher. Sabe por quê? Porque ela é de direita e por isso não houve manifestações, não houve apoio, não houve nenhum tipo de solidariedade”, afirmou
De acordo com o prefeito, os esquerdistas preferiram defender o regime do Maduro. “A perseguição, a matança, a exploração dos mais pobres é o que a esquerda defende e o exemplo vem de longe, lá de trás, fda época do Panamá”, acrescentou.
Que fim levou Manuel Noriega? – O ex-ditador panamenho citado por Bocalom, Manuel Antonio Noriega, morreu na noite de 29 maio de 2017, aos 83 anos, em um hospital na Cidade do Panamá. O antigo “homem forte” do Panamá governou o país entre os anos de 1983 e 1989, quando foi derrubado por uma invasão dos Estados Unidos, numa ação batizada de “Justa Causa”.

Assim como Nicolás Maduro, Noriega era considerado um ditador sem escrúpulos, que manteve relações simultâneas com o narcotraficante colombiano Pablo Escobar, o líder cubano Fidel Castro e com vários serviços de inteligência.
De acordo com agências internacionais de notícias, em sua trajetória foram registrados casos de opositores assassinados, fortunas duvidosas, condenações por narcotráfico, uma invasão militar e denúncias repetidas de traição. Após cumprir pena, Noriega foi extraditado para o Panamá em 11 de dezembro de 2011, após cumprir mais de 20 anos de prisão nos Estados Unidos e na França por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Ele cumpria mais de 60 anos de pena na prisão El Renacer, nos arredores da capital panamenha, até o dia 28 de janeiro de 2017, quando a Justiça lhe concedeu prisão domiciliar temporária para que fizesse o pré e o pós-operatório fora da prisão. Ele tinha um tumor no cérebro.
Em 2010, a Justiça panamenha abriu um novo processo criminal contra ele por sua suposta responsabilidade no desaparecimento, em 1970, e posterior morte do líder da esquerda, Heliodoro Portugal, mas o julgamento foi suspenso por conta dos problemas de saúde do ex-ditador.
Nascido na capital panamenha em 11 de fevereiro de 1934 em uma família humilde, Noriega abraçou muito jovem a carreira militar e governou o Panamá com mão de ferro entre 1983 e 1989, segundo a France Presse.
Depois de participar em 1968 em um golpe contra o então presidente Arnulfo Arias, sua ascensão foi meteórica quando, um ano depois, o governante do Panamá, general Omar Torrijos, o nomeou para comandar o serviço de inteligência G-2.
A suspeita é de que foi nesta época que a CIA, a agência de inteligência e espionagem norte-americana, então onipresente no Panamá para vigiar o Canal, recrutou Noriega, que aumentou seu poder após a morte de Torrijos em 1981 em um misterioso acidente aéreo.
Em 1983, ele assumiu o comando da extinta Guarda Nacional e iniciou eu governo de fato. Chegou a ter um período de glória, quando morava com a esposa Felicidad e as três filhas (Sandra, Lorena e Thays) em uma mansão luxuosa que incluía um minizoológico, cassino privado e salão de baile.
Em um contexto de guerras civis na América Central, “cara de abacaxi”, como era chamado por seus opositores pelas marcas de acne, atuou em várias frentes para permanecer no poder. Mas isso iria mudar.
Após a chegada à Casa Branca de George H. W. Bush (1989-92), Noriega deixou de ser um aliado fiel dos Estados Unidos passou a ser considerado um inimigo vinculado ao narcotráfico.
Em 1986, um vazamento da inteligência americana levou o jornal “The New York Times” a destacar o papel de Noriega no assassinato, em 1985, do opositor Hugo Spadafora, cujo corpo foi encontrado decapitado.
Noriega, no entanto, sempre negou participação em crimes. “Em nome de Deus, não tive nada a ver com a morte de nenhuma destas pessoas. Sempre houve uma conspiração permanente contra mim, mas estou aqui de frente, sem covardia”, afirmou durante uma audiência.
O coronel Roberto Díaz Herrera, ex-comandante do Estado-Maior panamenho e segundo nome do regime, o acusou de corrupção, fraude eleitoral e do acidente que provocou a morte de Torrijos.
As acusações provocaram protestos e um clima de instabilidade social, o que levou o governo dos Estados Unidos a exigir que abandonasse o poder, o que o general se nego a fazer de modo veemente.
Operação Justa Causa – Em 20 de dezembro de 1989, na operação conhecida como “Justa Causa”, tropas americanas invadiram o Panamá para capturá-lo, o que provocou a morte de milhares de civis na penúltima operação deste tipo de Washington na América Latina, de acordo com a France Presse.
Depois de passar vários dias refugiado na Nunciatura e ao som elevado de músicas de rock, que ele não suportava, Noriega se rendeu em 3 de janeiro de 1990 e foi levado prisioneiro aos Estados Unidos, onde foi condenado a 40 anos de prisão narcotráfico. O ex-ditador cumpriu apenas 21 anos por “bom comportamento”.
Noriega foi extraditado para a França em 2010 e condenado a sete anos de prisão por lavar três milhões de dólares em bancos franceses para o Cartel de Medellín.
Noriega foi extraditado a seu país em 2011. Ele chegou ao Panamá de cadeira de rodas, enfermo e “sem ódios nem rancores”, como afirmou, para cumprir três penas de prisão de 20 anos cada pelo desaparecimento de opositores.
Apesar de ter solicitado perdão e ter sofrido vários derrames cerebrais, complicações pulmonares, câncer de próstata e depressão, as autoridades panamenhas negaram todos os pedidos de prisão domiciliar.
Sua filha Sandra afirmou há algum tempo à AFP que a vida de seu pai “não entra em um livro”.

