Na manhã desta quarta-feira (7/1), tiveram seguimento em Rio Branco as ações da Polícia Civil do Acre (PCAC) de combate ao desvio de medicamentos e insumos hospitalares da rede estadual de saúde do Estado. A PCAC cumpriu mais dois mandados de busca e apreensão em Rio Branco.
A operação faz parte de uma investigação mais ampla que apura a atuação de uma rede criminosa, responsável por retirar medicamentos do sistema público de saúde para comercialização ilegal.
Durante as diligências, policiais civis apreenderam celulares, dinheiro em espécie, moeda estrangeira e medicamentos de uso controlado. Foram encontrados mais de R$ 31 mil em espécie, além de dinheiro em moeda estrangeira, incluindo 902 dólares, 40 bolivianos, 335 dólar canadense, e também de medicamento de uso controlado.
A ação desta quarta-feira é um desdobramento direto de uma grande operação realizada na última segunda-feira (5/1), quando a Polícia Civil chegou a uma residência em Rio Branco e encontrou uma grande quantidade de fármacos armazenados em caixas. O volume de medicamentos apreendidos foi suficiente para preencher a carroceria de dois caminhões de médio porte.
Entre os itens recolhidos estavam medicamentos de diversos tipos, incluindo remédios destinados ao tratamento oncológico e outros insumos hospitalares de alto custo. De acordo com um balanço inicial das autoridades, o valor estimado de todo o material apreendido ultrapassa R$ 1 milhão.
Ação da PCAC integra operação que combate uma rede criminosa responsável por retirar medicamentos e insumos hospitalares destinados à população. O delegado Igor Brito, que preside as investigações, ressaltou que o trabalho da Polícia Civil segue avançando e que novas medidas judiciais devem ser adotadas nos próximos dias.
“As investigações estão em pleno andamento e não estão descartados novos cumprimentos de mandados. A instituição está empenhada para que possamos identificar toda a cadeia criminosa, alcançar os receptadores desses medicamentos e também os servidores que, porventura, estejam envolvidos nesse esquema”, afirmou o delegado.
De acordo com o delegado-geral José Henrique Maciel, o foco da Polícia Civil é desarticular completamente a cadeia criminosa, desde o desvio dos medicamentos até o destino final dos produtos.
“Estamos tratando de medicamentos que deveriam chegar de forma gratuita à população, especialmente a quem mais precisa. Retirar esses insumos do sistema público é um crime grave, que impacta diretamente a saúde das pessoas. O governo do Estado, através da Polícia Civil, não vai medir esforços para responsabilizar criminalmente todos os envolvidos”, enfatiza.
As investigações prosseguem, e a PCAC não descarta novas operações e prisões à medida que o inquérito avança.
“Dr. Eugênio”, o principal acusado, é solto – O investigado Eugênio Gonçalves Neves, de 74 anos, principal envolvido no escândalo, havia sido preso em flagrante durante a operação inicial da Polícia Civil. No entanto, a Justiça do Acre concedeu prisão domiciliar humanitária ao investigado. A decisão foi aplicada com monitoramento eletrônico e levou em consideração critérios legais e de saúde, devido à idade avançada e a um quadro clínico considerado delicado.
A investigação aponta que o esquema funcionava de forma contínua e provocava prejuízos significativos à saúde pública, com estimativa de que o valor dos materiais desviados ultrapasse R$ 1 milhão. Entre os itens apreendidos estão medicamentos controlados, remédios utilizados no tratamento de câncer e equipamentos hospitalares de alto custo.
Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão em um imóvel localizado no bairro da Pista, na região da Sobral, os policiais encontraram insumos como sondas para pacientes com bolsa de colostomia e até um hemodializador, equipamento utilizado em tratamentos de hemodiálise. Todo o material estava armazenado de forma irregular.
De acordo com a Polícia Civil, Eugênio, que é ex-balconista de farmácia, seria responsável por guardar e comercializar clandestinamente os medicamentos e equipamentos desviados da Fundhacre. A operação foi resultado de cerca de um ano de apuração, iniciada após solicitação formal da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre). As investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos.

