Vamos à primeira coluna de 2026, com um pouco de tudo, principalmente na área política – embora, com as casas legislativas em recesso, como já se sabe, os meses de janeiro e fevereiro, e muitos dos atores da área de férias, os assuntos sejam um tanto quanto escassos.
Mas é também no silêncio, nos escaninhos, que muitas coisas da política, nos chamados bastidores, acabam acontecendo.
É disso, portanto, que vamos tratar durante esse novo ano – ano de eleições gerais, registre-se.
Nome novo na política
E falando do que é tratado de forma reservada na política, consta que, atendendo a pedidos de raposas felpudas da política e do PT local, a advogada Socorro Rodrigues (na foto com o marido Sérgio Souto), que foi vice-presidente da OAB-AC no mandato anterior da primeira presidência de Rodrigo Aiache, aceitou o desafio e deverá colocar seu nome na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa. Amigos seus informaram que o convite partiu da – ainda – maior liderança do PT no Acre, o ex-governador e ex-senador Jorge Viana.
Esposa do cantor e compositor Sérgio Souto, a advogada terá, por certo, um grande animador, poeta e compositor de jingles e, claro, um aprendiz de marqueteiro à disposição de sua futura campanha.
Enfim, Socorro tem em casa os que outros candidatos só dispõem pagando muito caro.
Seguro morreu de velho…
Por falar em Jorge Viana, não será mesmo surpresa se o ex-tudo no Acre recuar de sua candidatura ao Senado em 2026, cuja campanha ele já vinha anunciando desde o início do ano passado. Jorge Viana era um daqueles que mais torciam pelo insucesso jurídico do governador Gladson Cameli na chamada Operação Ptolomeu e ficasse inelegível.
Como é quase certo que, no gozo de seus direitos políticos, Gladson Cameli abocanha, sem maiores sacrifícios, a primeira das duas vagas ao Senado, e sabendo que a segunda vaga é disputada por raposas peludas e com o favoritismo do bolsonarista Márcio Bittar (PL), que disputa a reeleição, o petista, que de bobo não tem nem o andar, está pondo as barbas (que não tem) de molho.
Seguro morreu de velho.
Afinal, se em 2026 vier uma nova derrota, seria a terceira consecutiva, o que, em casos assim, decreta o fim da carreira política de muitos que tentaram voltar – até mais de uma vez – e não conseguiram.
Desembarque na Fazenda
Daí a insinuação de que o recuo dar-se-ia por um convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, virtualmente eleito para o quarto mandato, para que o petista acreano se transferisse da Apex, a agência do governo federal para a exportação de produtos brasileiros, para a Esplanada dos Ministérios, de preferência para a Fazenda, em substituição ao ministro Fernando Haddad, que sairia para disputar o governo de São Paulo, pelo PT.
Mas, se não desse certo, o Ministério do Meio Ambiente, que ficaria vago com a saída de Marina Silva para disputar a reeleição de deputada federal por São Paulo, também lhe cairia bem.
“Menino da Floresta”
Em Brasília, a avaliação é que Jorge Viana cairia bem na Fazenda porque, à frente da Apex, neste terceiro mandato de Lula, ao promover os produtos brasileiros no exterior, o petista se aproximou muito do empresariado brasileiro, principalmente da chamada Faria Lima, a avenida paulista aonde se concentra o PIB do Brasil.
Aliás, isso não é novidade.
Desde que era governador do Acre, Jorge Viana sempre transitou bem entre os barões da Rede Globo, do Banco Itau, Magazine Luiza, da Vale e outros grandes do mercado financeiro, como o pessoal da extinta Odebrecht, cujo codinome, na planilha da corrupção da empresa, segundo a Polícia Federal, seria “Menino da Floresta”.
E não é o Mogli
É claro que, ao se referir ao “Menino da Floresta”, a Polícia Federal não se referia à Lenda de Mogli, de “O Livro da Selva”, de Rudyard Kipling, que narra a história de um menino humano criado por lobos na selva indiana, após ser encontrado e adotado por uma loba. Guiado por amigos como o urso Balu e a pantera Baguera, Mogli aprende a Lei da Selva, mas enfrenta ameaças do tigre Shere Khan, sendo forçado a escolher entre o mundo selvagem e a civilização humana, explorando temas de identidade e pertencimento.
Já o nosso “Menino da Floresta” cresceu sem maiores sacrifícios entre outros tipos de mestres – entre eles Guiomard Santos, o próprio pai Wildy Viana, Joaquim Macedo, Jorge Kalume e outros da fina flor que serviram, e como serviram!, à triste – e de nenhuma saudade – ditadura militar que violou a democracia do Brasil por longos 21 anos.
Sim, um menino bem criado, de berço, e cevado pelo leite generoso das tetas da ditadura militar que, ao ver o período estival daqueles que o ninaram a vida toda, travestiu-se de esquerdista e assomou o PT como um Partido para literalmente chamar de seu em detrimento aos verdadeiros petistas e trabalhadores que fundaram a sigla no Acre.
Vai Marina!
Enquanto isso, em São Paulo, a ministra do Meio Ambiente, a acreana Marina Silva, eleita deputada federal pelo Rede paulista, é disputada por vários partidos de esquerda, após se sentir desconfortável para permanecer na sigla que ajudou a fundar. PSOL e outras siglas esquerdistas querem seu passe para que ela possa disputar a reeleição por uma delas e, com uma boa votação, puxar mais um ou dois outros deputados.
Até aqui, a deputada não tem dado pistas para qual o partido vai – embora haja quem aposte que ela acabe no PSB, partido pelo qual já passou e até disputou a presidência da República substituindo o candidato Eduardo Campos, falecido em acidente de avião em 2014.
Se ficar o bicho pega…
Se 2026 não começou de bom tamanho para você, leitor, pense na situação do autoexilado nos EUA Eduardo Bolsonaro, agora deputado federal cassado e correndo risco de ser extraditado para o Brasil pelo ex-amigo presidente Donald Trump. Além de exilado, sem poder voltar ao Brasil sob pena de ser preso a mando do ministro Alexandre de Moraes, do STF, ele acaba de ser intimado pela Polícia Federal, instituição da qual é servidor, na condição de escrivão, à voltar a trabalhar e tem que se apresentar imediatamente à sede do órgão em Angra dos Reis, no Rio, onde é lotado, sob pena de demissão imediata.
É o que está posto no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (2/1).
O problema é que, se voltar, deverá ser preso pela própria Polícia Federal, a cujos agentes, delegados e outros servidores, no auge do poder, ele vivia a esculhambar.
É o caso típico do se correr o bicho pega e se ficar o bicho come….
Até a próxima coluna.

