“Betão” foi empresário de sucesso que nunca perdeu a política de vista embora ele próprio resistisse a ideia de ser candidato, sempre incentivou familiares à militância política partidária

Vereador Bruno Moraes é o atual herdeiro político da família

Embora avesso à ideia de pôr o próprio nome à disputa da política partidária em busca e mandatos, por enxergar incompatibilidade absoluta entre empreender e o exercício de cargos públicos, o empresário e pecuarista Edilberto Afonso de Moraes, o “Betão”, cujo corpo está sendo sepultado no Cemit[erio Morada da Paz, nesta tarde de segunda-feira (29/12), em Rio Branco (AC), não fazia o tipo tradicional do capitalista apolítico.

Pelo contrário. Muito requisitado e sonho e consumo de dirigentes partidários de partidos de diferentes matizes ideológicos, ele sempre manteve os olhos atentos à política mas preferiu que, na disputa por mandatos, outros membros de sua família saíssem à cara de votos enquanto ele permanecia focado no que mais sabia fazer: ganhar dinheiro nas mais diferentes frentes de negócios da economia local, o que incluía a venda de combustíveis, criação de gado e venda de proteína animal como carne bovina e de peixe, além da construção civil e forte atuação no mercado imobiliário.

Foram mais de 60 anos fazendo negócios, já que “Betão, que viveu 74 anos, começou a ser negociante cedo, ainda quase menino, contam sus amigos. Mas, durante todo esse tempo, sua atuação sempre chamou a atenção dos poíticos dos quais muitos sonharam em tê-lo como supente de senador, vice-governador e em ouro cargos nos quais ele não precisaria abrir mão de suas atividades empresariais. A esses, “Betao” sempre disse não, mas de forma discreta incentivava familiares seus ao exercício da politica partidária e sempre manteve o olhar atento à movimentação política em todas as esferas da política, da presidência a República à Câmara de Vereadores da cidade em que vivia.

Talvez venha daí o interesse de sua família pela política partidária – a começar pelo irmão Tarcísio Pinheiro, que teve quatro mandatos de deputado estadual e passou por partidos como MDB, PPS e ultimamente, em 2022, disputou – e perdeu – às eleições para tentar voltar à Aleac, pelo PL. Além de Tarcísio, outro membro da família do empresário falecido a abraçar a política foi seu filho Junior Betão, que foi deputado federal pelo Acre no período de 2003 a 2007. Ele foi eleito pelo PPS e posteriormente filiou-se ao PL e PR durante seu mandato.

Na Câmara Municipal de Rio Branco, uma de suas irmãs, Beth Pinheiro, foi vereadora durante o mandato que se iniciou em 2005 e terminou em 2008. Ela foi eleita nas eleições municipais de 2004 pelo Partido Popular Socialista (PPS), obtendo 2.741 votos, sendo a quarta candidata mais votada na ocasião.

No momento, a família de “Betão” é representada na política local com o mandato do vereador Bruno Moraes, sobrinho do empresário falecido, eleito vereador em Rio Branco com 5.898 mil votos. Ao que tudo indica, os movimentos da família de Betão na política não se encerre tão cedo, já que especula-se que Bruno Moraes possa vir a ser candidato a deputado estadual em 2026 e que Junior Betão possa a disputar mandato para Câmara Federal.

Foto: Reprodução

Não por acaso, logo após o último suspiro do empresário, na noite do último domingo, a classe políticano Estado começou a se manifestar a seu respeito. A vice-governadora Mailza Assis, por exemplo, manifestou pesar pelo falecimento do pecuarista em nota oficial. Ela destacou a importância de Betão para o desenvolvimento regional, descrevendo-o como um dos grandes nomes do empreendedorismo acreano. “Recebi a notícia com imensa consternação e e sei do impacto da perda para o estado. Lamentavelmente o Acre perde não somente um dos maiores visionários do setor agropecuário e do empreendedorismo, mas um homem que construiu um legado de dedicação à família, ao trabalho”, afirmou a vice-governadora.

Também em nota assinada pelo prefeito Tião Bocalom, a Prefeitura de Rio Branco manifestou profundo pesar pelo falecimento do empresário. “Neste momento de dor, a Prefeitura de Rio Branco se solidariza e se consterna com os familiares e amigos, reconhecendo a trajetória de trabalho e a importante contribuição do pecuarista para o desenvolvimento econômico e social do município e do estado”, disse em vídeo postado em suas redes sociais, o senador Márcio Bittar (Pl-AC), amigo do empresário falecido, postou um vídeo em que ele, o empresário e o jornalista Tião Maia aparecem num café da manhã no quiosque de uma feirinha do bairro Maia Ires, em Rio Branco. Para ressaltar a simplicidade de um dos maiores empresários acreanos, Márcio Bittar mostra bens pessoais dos quais “Betão” não abria mão: um pedaço de caderno como agenda, um telefone celular dos mais antigos e um pente, com o qual arrumava o bigode.

“Perdi um grande amigo, sem dúvida um dos maiores amigos que tive , tinha uma imensa admiração por ele, fará falta”, diz Márcio Bittar sob o vídeo.

Foto: Reprodução

Quem também não mediu palavras de pesar foi o governador Gladson Cameli. “O Acre perdeu “um dos seus filhos mais ilustres”, disse o governador em nota emitida pelo Plácio Rio Branco. “Betão foi uma referência no agro acreano, sendo pioneiro na implantação do primeiro frigorífico e também na produção de peixes”, acrescentou o governador, ao lembrar as relações de amizade entre o empres[árop e seus familiares com a família Cameli.

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