Policia Federal e a PGR dizem que assessora de Arthur Liara indicava emendas do Orçamento Secreto para beneficiar o crime organizado

Operação da Policia Federal deflagrada nesta sexta-feira (12), em Brasília, atingiu em cheio o ex-presidente da Câmara, deputado federal Arthur Lira (PP-AL), apontado como o verdadeiro chefe do “Centrão”. O “Centrão” é conhecido como um bloco informal de parlamentares (deputados e senadores) de diversos partidos no Congresso Nacional. caracterizado por sua atuação pragmática, fisiológica e governista, que negocia apoio ao Executivo, seja de direita ou esquerda, em troca de cargos e verbas, sem seguir uma ideologia fixa, buscando influência e poder, e sendo crucial para a governabilidade no presidencialismo de coalizão.

Graças ao que a Polícia Federal apurou, o procurador geral da República, Paulo Gonet apontou que a atuação do deputado na Câmara , através da ex-assessora, que exerceria exercia controle em indicações de emendas desviadas, Mariângela Fialek seria para beneficiar organização criminosa com recursos públicos.

Segundo Polícia Federal (PF) e a PFR, a ex-assessora do tinha a função de controle de “indicações desviadas de emendas decorrentes do orçamento secreto” para beneficiar uma organização criminosa “voltada à prática de desvios funcionais e crimes contra a administração pública e o sistema financeiro nacional”. A funcionária da Câmara alvo de mandados de busca e apreensão em casa e no trabalho é Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, atualmente lotada na Liderança do Partido Progressista na Casa. O celular dela foi apreendido na operação deflagrada pela Polícia Federal (PF).

Arthur Lira declarou estar indignado porque a operação da PF foi feita no dia do aniversário da assessora

Gonet disse ainda que o pedido da PF está “encorporado com significativos elementos, materializados em diversos depoimentos e análises policiais, sugestivos da atuação ilícita da requerida Mariângela Fialek”.

Embora esteja lotada na Liderança do PP na Câmara, Mariângela ainda trabalha com a liberação de emendas, agora assessorando Hugo Motta (Republicanos-PB), atual presidente da Câmara. Ela segue exercendo o mesmo papel que tinha com Lira e é considerada uma especialista no tema.

“O histórico de cargos estratégicos e os achados dos dados telemáticos confirmam as hipóteses levantadas, especialmente em decorrência das fortes evidências ancoradas nas citadas planilhas/tabelas armazenadas em nuvem, igualmente comprobatórias do papel crucial da investigada na alocação de emendas e distribuição de recursos”, escreveu Gonet.

O procurador-geral da República foi consultado nos autos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, relator de processos relacionados a emendas parlamentares, antes de ser autorizada a deflagração da operação.

**Operação **- O ex-presidente da Câmara Arthur Lira não é alvo da operação, que cumpriu mandados na Câmara dos Deputados. A ação é um desdobramento de investigação que contou com depoimentos de outros deputados, como Glauber Braga (PSol-RJ), José Rocha (União-BA), Adriana Ventura (Novo-SP), Fernando Marangoni (União-SP) e Dr. Francisco (PT-PI), além do senador Cleitinho (Republicanos-MG).

Os parlamentares foram ouvidos por agentes federais que investigam a liberação e o desvio de emendas parlamentares no âmbito do Orçamento Secreto, em um montante total de R$ 4,2 bilhões.

A reação de Arthur Lira – ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) reagiu com indignação à operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (12/12) que teve como alvo uma ex-assessora sua.

Alvo de um mandado de busca e apreensão, Mariângela Fialek, mais conhecida como “Tuca”, foi braço direito de Lira quando ele presidiu a Câmara. Ela controlava a planilha do orçamento secreto.

A reação de Lira à operação da PF contra sua ex-assessora – Em conversas com aliados, Lira criticou o fato de a operação ter sido realizada no dia do aniversário de Tuca. Segundo relatos, ele negou irregularidades e disse que indicar emendas não é crime.
Ele admitiu a aliados que Tuca é sua amiga, mas lembra que ela é concursada da Casa e tem perfil “técnico”. Atualmente, ela está lotada na liderança do PP, sigla de Lira.

Por indicação do deputado, Tuca também acumulou cargos no Executivo. Entre eles, de conselheira fiscal da Codevasf e da Caixa Econômica Federal, onde a assessora atuou até abril de 2025.

Em conversas com aliados na sexta-feira, Lira avaliou ainda que a operação da PF, autorizada pelo ministro Flávio Dino, seria uma reação do STF à ofensiva do Congresso contra a Corte.

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