Prefeito dá calote em professores e culpa tarifaço de Trump

**Dilson Ornelas**

O prefeito de Pedro do Rosário (MA), Toca Serra (PCdoB), apresentou uma justificativa inusitada para o não pagamento dos professores do município: o impacto do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o colunista do UOL, Carlos Madeiro, o gestor comunicou essa explicação ao Sindicato dos Trabalhadores da Administração e do Serviço Público Municipal, causando perplexidade entre os servidores.

Em ofício, Toca Serra afirmou que o município não pagará os valores retroativos referentes a promoções, progressões e quinquênios de professores e agentes educacionais devido à suposta queda na arrecadação provocada pelas tarifas americanas sobre produtos brasileiros.

No entanto, dados do Monitor do Comércio Exterior Brasileiro revelam que Pedro do Rosário, com 24 mil habitantes, não exportou nenhum produto para os Estados Unidos em 2025. Mesmo assim, o prefeito argumenta que a tarifa de 50% imposta por Trump sobre produtos brasileiros prejudicará, de forma indireta, a arrecadação de tributos pela União e, consequentemente, os repasses a estados e municípios. Essa explicação, segundo o colunista do UOL, consta em um documento enviado por Toca Serra ao sindicato em 29 de julho.

**Veja a nota da prefeitura:**

“Considerando a possibilidade de queda na arrecadação federal e a consequente redução nos repasses aos municípios, a administração municipal, por prudência, optou por adiar o pagamento dos retroativos dos servidores até que o cenário internacional apresente melhoras, evitando assim o descumprimento do calendário de pagamento dos salários dos servidores públicos.”

**REVOLTA**

A justificativa do prefeito gerou indignação no sindicato, que publicou uma nota oficial rebatendo as alegações. Segundo o sindicato, “os cofres da prefeitura não estão vazios por causa de sanções internacionais, mas sim devido a uma gestão que prioriza outros interesses em detrimento dos direitos dos trabalhadores e do bem-estar da população”.

“A ausência de planejamento, a falta de transparência e o desrespeito aos direitos trabalhistas são as verdadeiras causas da crise financeira enfrentada pelo município”, afirmou o sindicato em texto divulgado em seu site oficial.

De acordo com o vice-presidente da entidade, Ismael Meireles da Silva, os valores retroativos não pagos referem-se a direitos adquiridos em 2023. “Trata-se de benefícios previstos no plano de cargos e carreiras dos servidores municipais, aprovado por lei em Pedro do Rosário”, esclareceu.

Ismael revelou ainda que o pagamento dos retroativos foi acordado com o próprio prefeito no início do ano, com a promessa de quitação na folha de julho. “No entanto, apenas os salários foram pagos, e os retroativos devidos foram ignorados”, destacou.

Diante do impasse, o sindicato anunciou que acionará o Ministério Público nesta semana para denunciar a negativa de pagamento. “Tentamos o diálogo de várias formas, mas não obtivemos sucesso”, afirmou Ismael.

O Aquiri buscou contato com a prefeitura para esclarecimentos, mas não obteve resposta. O espaço permanece aberto para manifestações do prefeito Toca Serra e de sua administração.

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