O deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP), que defendeu, durante um podcast, a separação do país em dois, formando o “Brasil do Norte” e “Brasil do Sul”, tem 38 anos, e é delegado licenciado da Polícia Civil paulista.
Como revelado pelo Metrópoles, a instituição espera há três anos pela demissão do parlamentar, que é integrante da chamada bancada da bala na Câmara dos Deputados.
Um documento sigiloso, obtido com exclusividade pelo Metrópoles, mostra que o policial civil responde a processos disciplinares desde o estágio probatório na Polícia Civil, iniciado em 2012. Naquela época, já havia recomendação para que não o aceitassem na corporação.
O documento aponta ainda que Bilynskyj respondeu a mais de 12 expedientes disciplinares, pelos quais foi punido com “reprimendas de advertência e suspensão”.
O último caso, envolvendo uma “manobra brusca na condução de viatura policial e posterior colisão em veículo particular”, resultou no pedido de “não confirmação na carreira”, feito pela Divisão de Informações Funcionais. Atualmente, Bilynskyj responde a três processos disciplinares.
O apresentador do podcast reagiu dizendo que seria “separatismo”. O deputado, então, questionou qual seria o problema. “Sabia que, historicamente, quanto maior a extensão territorial, maior a tendência a ditadura? Quanto menor o país, mais democrático ele é”, argumentou o parlamentar
Bilynskyj ainda afirmou que o país seria muito grande. “Eles [Norte] votam no Lula, nós [Sul] votamos no Bolsonaro, pronto, acabou”. A afirmação do deputado tem um erro factual, uma vez que Bolsonaro teve 51,03% dos votos no Norte, contra 48,97% de Lula na eleição presidencial de 2022.
**Apologia ao estupro e racismo**
O caso mais destacado no pedido de demissão de Bilynskyj pela Polícia Civil foi o compartilhamento em seu Instagram de uma propaganda divulgando uma escola de preparação para concursos, na qual ele dá aulas.
No conteúdo, homens negros conduzem uma mulher para um quarto, insinuando o abuso sexual da vítima. “O concurseiro estuda com material pouco profundo, sem clareza, não faz questões da banca; ou seja, sem retaguarda de conhecimento que aguente a profundidade com que a banca introduz os conteúdos e diversas posições doutrinárias! E aí…a situação fica preta!”, escreveu na postagem.
Após a publicação do conteúdo, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) requisitou a instauração de um inquérito policial para investigar o caso como apologia ao estupro e racismo. A apuração resultou em processo contra o policial licenciado e dois representantes da escola de concursos, que fecharam um acordo de não persecução penal, já cumprido.
**Fonte: Metrópoles**

